Maná
Maná (em hebraico: מ۸ן)[1] é o alimento místico que Deus proveu aos israelitas durante os quarenta anos de sua vida no deserto.[2] Maná significa “o que é isto?”.[3] Isso porque quando Deus deu o maná pela primeira vez aos israelitas, eles disseram uns a outros: “o que é isto?”. (Hebreu: man hu?; Frase hebraica: מָ֣ן ה֔וּא).[4][5][6] Dizem que tinha gosto de bolos de mel e era branco como semente de coentro.[7] O maná cessou no dia seguinte após os israelitas terminarem a sua vida de quarenta anos no deserto, entrarem na terra de Canaã e comerem os frutos da terra.[8]
Origem
Os israelitas chegaram ao deserto de Sim, que fica entre Elim e Sinai, no décimo quinto dia do segundo mês de acordo com o calendário sagrado, um mês após os israelitas terem saído do Egito. Eles pensaram que chegariam ao seu destino em um mês e prepararam provisões para esse período, mas ficaram perplexos quando a comida acabou. No deserto não havia terra para cultivar nem água para beber. Eles reclamaram por Moisés e Arão os terem levado ao deserto desolado. Quando Deus ouviu suas queixas, fez chover pão do céu para que eles colhessem a comida de que precisavam a cada dia.[9] Esse pão era o maná. Quando o orvalho da manhã secou, algo pequeno e redondo, tão fino quanto geada, caiu no chão. A princípio, os israelitas se perguntaram: “o que é isto?”. Então, Moisés disse-lhes que era o alimento que Deus havia dado.[10] Os israelitas não sabiam o nome e perguntaram o que era, o que se tornou a origem do nome maná (מָן).
Naquele tempo, o número de israelitas que entraram no deserto era de cerca de seiscentos homens com vinte anos ou mais. Se suas famílias forem incluídas, estima-se que esse número tenha sido superior a dois milhões.[11] Todos os dias, enquanto viveram no deserto por quarenta anos, o maná caía do céu. Após quarenta anos de vida no deserto, os israelitas atravessaram o Jordão e acamparam em Gilgal, nas planícies de Jericó, e celebraram a Páscoa ao anoitecer do décimo quarto dia do mês. O maná que havia caído durante toda a sua vida no deserto cessou no dia seguinte, a partir do momento em que comeram os frutos da terra de Canaã, que era o dia seguinte à celebração da Páscoa.[12][13]
Características do Maná
- SABOR: Como bolos de mel ou bolos misturados com óleo;[14][15]
- FORMATO: Pequeno, redondo, semelhante à geada,[16] como bdélio ou sementes de coentro;[15]
- NATUREZA: Ao nascer o sol e vir o seu calor, derretia;[17]
- CARACTERÍSTICAS: Caia do primeiro ao sexto dia da semana, durante seis dias, mas não no sábado, o dia de repouso;[18]
- PERÍODO DECORRIDO: Enquanto viviam no deserto, os israelitas comeram maná por quarenta anos, até chegarem à fronteira de Canaã.[19]
O Maná e o Sábado
Moisés determinou quanto maná os israelitas deveriam recolher. Ele advertiu a cada família para recolher um gômer por pessoa durante seis dias da semana, mas para não deixá-lo até de manhã. Um gômer equivale a aproximadamente 2,2 litros. No entanto, alguns não deram ouvidos a Moisés e o guardaram até a manhã seguinte. Então, o maná que estava sendo guardado deu bicho e começou a cheirar mal.[20]
No sexto dia, Deus permitiu que eles recolhessem o dobro do que tinham recolhido em qualquer outro dia. Porém, neste caso, no dia seguinte, o sétimo dia, não havia cheiro nem bichos, embora o maná tivesse sido deixado até de manhã.[21] Isso porque o sétimo dia era o sábado, o dia santo do repouso de Deus. Deus queria que o povo recolhesse uma porção dobrada de comida no sexto dia e, no sétimo dia, o sábado, que não saíssem para guardarem o sábado sagradamente. Dessa forma, Deus lembrou ao povo, por meio do maná, durante quarenta anos, que eles deveriam guardar o sábado, dia de repouso, como santo.
O Maná no Novo Testamento
A Realidade do Maná
Há dois mil anos, os judeus mencionaram o maná que seus pais comeram no deserto quando pediram a Jesus um sinal que pudesse provar que ele era o Cristo. Assim como o maná caiu do céu na época de Moisés, eles queriam que Jesus realizasse o mesmo milagre. Então Jesus revelou que a realidade do maná era ele mesmo.
“Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu (Jesus) sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. [...] Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida.”
Jesus enfatizou que ele é “o pão vivo que desceu do céu” e que todo aquele que come deste pão tem a vida eterna. No passado, o maná dado aos israelitas era um alimento que os sustentava temporariamente, mas Jesus disse que se comessem a sua carne e bebessem o seu sangue, a realidade do maná, viveriam para sempre. Em outras palavras, este era o mandamento para guardar a Páscoa da Nova Aliança. Jesus prometeu o pão e o vinho da Páscoa como sua carne e sangue,[22] e abençoou aqueles que guardam a Páscoa com a vida eterna, fazendo-os comer dele, a realidade do maná.
O Maná Escondido e Cristo em Sua Segunda Vinda
A Páscoa da Nova Aliança que Jesus estabeleceu foi abolida no Concílio de Niceia no ano 325 d.C., quando a igreja se secularizou. A Páscoa, que promete o perdão de pecados e a vida eterna, é a verdade diretamente relacionada à salvação. Sem a Páscoa, ninguém pode entrar no eterno reino dos céus. Por essa razão, o escritor de Hebreus profetizou que Cristo apareceria nesta terra pela segunda vez para salvar a humanidade.[23] O livro do Apocalipse, que registra o que acontecerá no futuro, menciona o maná escondido como um sinal para reconhecer Jesus em sua segunda vinda.
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.”
Como a Páscoa, a verdade para comer o maná espiritual, esteve oculta por mais de mil e seiscentos anos, depois que a Páscoa foi abolida por volta do século IV, ela foi escrita como o “maná escondido”. A “pedra branca” dada aos santos junto com o maná escondido representa Jesus,[24] e o “novo nome” na pedra branca representa o nome de Jesus em sua segunda vinda.[25] A única maneira de receber a salvação nesta época é encontrar Jesus em sua segunda vinda, que restaurou a Páscoa.
Ver Também
Referências
- ↑ «Strong's #4478 - מָן». Bible Lexicons, Hebrew Lexicon, StudyLight.org
- ↑ «Salmos 105:40»
- ↑ WHAT DOES THE WORD “MANNA”MEAN IN HEBREW?, Hebrewversity
- ↑ «Strong's #1931 - הִיא». Bible Lexicons, Hebrew Lexicon, StudyLight.org
- ↑ Francis Brown, Samuel Rolles Driver, Charles Augustus Briggs, Wilhelm Gesenius, Edward Robinson, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon, Hendrickson Publishers Marketing, LLC. P. 577, setembro de 2018
- ↑ 4478. man, Bible Hub
- ↑ «Êxodo 16:31»
- ↑ «Josué 5:12»
- ↑ «Êxodo 16:1-4»
- ↑ «Êxodo 16:14-15»
- ↑ Harris F. Allen, Somewhere in the Bible: Understanding Bible Scriptures and Creation, West Bow Press, 2011. P. 44
- ↑ «Josué 5:11-12»
- ↑ «Êxodo 16:35»
- ↑ Êxodo 16:31
- ↑ 15,0 15,1 Números 11:7-8
- ↑ Êxodo 16:14
- ↑ Êxodo 16:21
- ↑ Êxodo 16:22-25
- ↑ Êxodo 16:35
- ↑ «Êxodo 16:16-20»
- ↑ «Êxodo 16:22-24»
- ↑ «Mateus 26:19, 26-28»
- ↑ «Hebreus 9:28»
- ↑ «1 Pedro 2:4-5»
- ↑ «Apocalipse 3:12»
